Colóquio do Mercado Quinhentista “Gentes do Povoamento: Ecos do Tombo”

O Fórum Machico acolheu hoje o XVIII Colóquio do Mercado Quinhentista, subordinado ao tema “Gentes do Povoamento: Ecos do Tombo”, numa iniciativa que reuniu cerca de 200 participantes, na sua maioria professores, investigadores e agentes culturais, num dia inteiramente dedicado à reflexão sobre as origens históricas e humanas de Machico e da Madeira.

Integrado na preparação da XIX edição do Mercado Quinhentista, o colóquio destacou-se pela forte componente formativa e científica, tendo como eixo central o Tombo I da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Machico, o mais antigo registo documental conhecido da localidade, descoberto em 2021 e recentemente restaurado, estudado e transcrito por especialistas.

Um dos momentos mais marcantes do encontro foi precisamente a apresentação da obra “Tombo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Machico (séculos XV–XVII). Estudos históricos e edição anotada”, sessão que contou com a presença do Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, do pároco de Machico Padre Manuel Ramos e da professora Maria de Lurdes Rosa, investigadora da Universidade Nova de Lisboa e responsável pelo projeto VINCULUM, que sublinharam a relevância religiosa, histórica e patrimonial do documento para a Diocese e para a memória coletiva madeirense.

A investigadora revelou que além da edição anotada, a equipa responsável desenvolveu estudos históricos e biografias das figuras mencionadas no Tombo, materiais que serviram de base ao trabalho pedagógico e criativo do Mercado Quinhentista. A professora elogiou precisamente essa capacidade do projeto de unir conhecimento académico, património e participação popular, considerando-o “uma actividade excepcional” pela forma como aproxima os jovens e a população da história local.

Ao longo do dia, o auditório recebeu diversas comunicações académicas protagonizadas por especialistas de diferentes áreas. A professora Maria de Lurdes Rosa apresentou a comunicação “O Tombo de Machico: contextos documentais e históricos de um registo de eternidade”, dedicada à compreensão histórica e espiritual do documento quinhentista. Maria Amélia Álvaro de Campos abordou “Ecos da comemoração dos mortos na Paróquia Medieval Portuguesa”, refletindo sobre as práticas medievais de sufrágio e memória dos defuntos. A diretora de serviços da DRABL, Dina Noite, apresentou a conferência “Colaboração digital para a preservação do património cultural: redes de trabalho em contextos periféricos”, centrada nos desafios da digitalização e conservação documental na Madeira. Já Marco António Ferreira Gonçalves conduziu a comunicação “Gentes de Machico – entre o palco fotográfico e o campo (1884–1920), pela Photographia Vicente”, explorando retratos históricos de habitantes do concelho de Machico.

A vertente demográfica esteve a cargo de Rita Brazão de Freitas, com a apresentação “Gentes e números: Machico em perspetiva demográfica”, onde analisou a evolução populacional do concelho desde o século XIX até à atualidade. Por sua vez, Sónia Silva Franco apresentou a reflexão “Fazei isto em memória de nós!”, dedicada à valorização das histórias de vida e da memória das pessoas comuns enquanto património humano e historiográfico.

A encerrar o encontro, houve espaço para um momento cultural e teatral com o sketch “Gente do seu Tempo”, protagonizado pelo grupo Teatro D’Os Emplastros, recriando episódios do quotidiano quinhentista com humor e proximidade ao público.

O XVIII Colóquio do Mercado Quinhentista afirmou-se, assim, como uma verdadeira antecâmara da grande recriação histórica que irá animar Machico entre os dias 5 e 7 de junho, sob o tema “Gentes do Povoamento”, evocando os homens e mulheres anónimos que ajudaram a construir a identidade da Madeira nos primeiros séculos da sua história.

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