XVIII Colóquio MQ

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Para finalizar a inscrição, deve:
* efetuar o pagamento, no valor de 10€, por transferência bancária para Mercado Quinhentista, IBAN: PT50 0035 0420 00021366830 54, SWIFTCODE: CGDIPTPL;
* enviar, com carácter obrigatório, o comprovativo de pagamento, com o nome completo do inscrito, para o seguinte email: formacao.mq@gmail.com.

Após verificação pelo secretariado, receberá um email de confirmação da sua inscrição.
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PROGRAMA EM PDF

Maria de Lurdes Rosa
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

O Tombo de Machico: contextos documentais e históricos de um registo de eternidade
Procurar-se-á explicar a racionalidade de uma época, através de um exemplo central a tal objetivo: como é que era possível acreditar que os mortos continuavam presentes entre os vivos, não apenas de forma sentimental, mas de modos bem reais – protetores, ameaçadores, donos de bens, comunicantes.
Quer-se assim chegar a um aspeto muito importante no ensino e estudo da História: é preciso rejeitar o anacronismo, deixar de considerar arcaico aquilo que não se compreende, procurar empatia com os agentes do passado.

Resumo Curricular:
Maria de Lurdes Rosa é doutorada em História medieval pela École des Hautes Études en Sciences Sociales/ UNL. Exerce funções docentes no Departamento de História da FCSH. É agregada em História medieval (UNL, 2016) e em Ciência da Informação (UC, 2021). Tem como áreas de estudo a história cultural e das mentalidades da Idade Média, a historiografia contemporânea sobre o mesmo período, e as recriações de tema medieval, bem como a Arquivistica Histórica. Foi investigadora principal o projeto «VINCULUM. Entailing Perpetuity: Family, Power, Identity. The Social Agency of a Corporate Body (Southern Europe, 14th-17th Centuries)», financiado pelo European Research Council (2019-2025), no âmbito do qual coordenou várias atividades com as entidades arquivísticas, culturais e religiosas da Madeira, entre as quais o restauro, transcrição e estudo do “Tombo” da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Machico.

Maria Amélia Álvaro de Campos
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Ecos da comemoração dos mortos na Paróquia Medieval Portuguesa
Ao longo da Idade Média, observou-se a fundação de cerimónias de sufrágio de alma e a sua evolução, no sentido de uma infinita acumulação e de uma progressiva complexificação simbólica. Associada a estes processos, desenvolveu-se a economia da salvação, responsável pelo aumento da propriedade eclesiástica em toda a Cristandade Ocidental e pela responsabilização perpétua de herdeiros e agentes clericais, na manutenção de patrimónios e sufrágios. Nesta comunicação, apresentar-se-á uma reflexão global sobre a evolução destas práticas em Portugal, desde os séculos XII/XIII até aos finais do século XV, tendo a paróquia como espaço de observação. Nele, enfatizar-se-á a construção de uma pastoral própria à comemoração dos mortos, em que os paroquianos partilhavam a dupla função de fundadores e destinatários das intenções. Dar-se-á especial atenção à apresentação e análise das diferentes tipologias dos documentos escritos disponíveis para o seu estudo —testamentos, obituários e livros de aniversários, entre outros.

Resumo Curricular:
Maria Amélia Álvaro de Campos é Professora Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigadora integrada no Centro de História da Sociedade e da Cultura . Desenvolve investigação sobre comunidades paroquiais urbanas, preocupando-se, sobretudo, com a forma como os grupos eclesiásticos e laicos moldaram as cidades medievais portuguesas. Paralelamente ao seu trabalho em história eclesiástica, urbana e social, tem publicado estudos de paleografia e análise diplomática de fontes medievais. Leciona Unidades Curriculares sobre História Medieval de Portugal e da Europa, História dos Poderes Locais e Cultura Europeia.
Atualmente, desempenha também funções como Investigadora Principal Local na Universidade de Coimbra no consórcio internacional RESTORY – Recovering Past Stories for the Future: A Synergistic Approach to Textual and Oral Heritage of Small Communities, coordenado pela Universidade Babes Bolyai (Roménia), financiado pelo programa HORIZON-CL2-2023-HERITAGE-01 (GA 101132781).
É formadora acreditada de História (História Medieval), pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua, Universidade do Minho, processo CCPFC/RFO-41484/22.

Dina Noite
Direção Regional dos Arquivos,
das Bibliotecas e do Livro

Colaboração digital para a preservação do património cultural: redes de trabalho em contextos periféricos
O património cultural é a essência da nossa identidade. Contudo, em regiões periféricas como a ilha da Madeira, a sua preservação enfrenta desafios significativos, devido a infraestruturas limitadas, falta de recursos e escassa formação técnica especializada. Neste contexto, a digitalização tornou-se essencial para garantir que o património madeirense possa ser preservado, partilhado e estudado por todos – dentro e fora da região.
O presente texto apresenta o modelo desenvolvido pela Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL), que promove uma estratégia de colaboração interinstitucional centrada na digitalização e preservação de coleções culturais. Com esta iniciativa, a DRABL pretende incentivar a partilha de recursos e de conhecimento entre instituições, estabelecendo parcerias entre entidades com equipamentos e experiência técnica em digitalização e outras interessadas em iniciar ou ampliar este trabalho.
No âmbito destas parcerias, a instituição detentora dos equipamentos disponibiliza os meios técnicos e o espaço de trabalho, assegurando também a formação e o acompanhamento contínuo dos técnicos envolvidos. Por sua vez, a instituição parceira afeta elementos da sua equipa ao projeto, participando ativamente em todo o processo. Esta colaboração prática fortalece as competências locais, garante o uso adequado dos equipamentos e promove a aplicação de boas práticas, assegurando a qualidade, a integridade e a sustentabilidade das coleções digitalizadas.
Este modelo, alinhado com os princípios da sustentabilidade e da otimização de recursos, contribui não só para a preservação física e digital do património, mas também reforça as redes regionais de cooperação. Paralelamente está a ser desenvolvido um trabalho de normalização procedimentos e fluxos de trabalho, assegurando a adoção de métodos uniformes e coerentes com as normas internacionais de preservação digital à escala regional.

Resumo Curricular:
Diretora de Serviços de Conservação e Restauro da Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL), exerce funções desde 2004 na área da preservação, conservação e restauro do património documental da Região Autónoma da Madeira. Licenciada pelo Instituto Politécnico de Tomar e mestre pela University of the Arts London, tem desenvolvido projetos que articulam práticas de preservação com estratégias de digitalização, em especial em contextos insulares com recursos limitados.
Tem promovido um modelo de digitalização colaborativa baseado na partilha de recursos, na capacitação técnica das equipas e na aplicação de normas internacionais, contribuindo para a preservação e o acesso ao património cultural. Desenvolve também atividade na área da formação, consultoria técnica e organização de encontros profissionais no setor do património cultural.

Marco António Ferreira Gonçalves
Museu de Fotografia da Madeira
– Atelier Vicente’s

Gentes de Machico – entre o palco fotográfico e o campo (1884–1920), pela Photographia Vicente
A Photographia Vicente (1852-1978), é uma das mais valiosíssimas coleções do Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s, não só pela qualidade e pela abundância de espécimes fotográficos, como também pela sua relevância histórica, documental e patrimonial.
Por esse emblemático estúdio oitocentista, um dos pioneiros da prática fotográfica na Madeira, passaram ilustres e desconhecidos, das mais variadas geografias e nacionalidades, numa representação ampla dos diferentes estratos sociais.
Nesta comunicação, o foco recairá sobre um conjunto de fotografias de pessoas oriundas do concelho de Machico, que posaram no atelier Vicente, entre 1884 e 1920, num período indelevelmente marcado pelas inovações técnicas da fotografia e pela transição da Monarquia para a República. Os retratados surgem não apenas como sujeitos passivos do registo visual, mas como agentes que, através da indumentária, postura e adereços, negociam representações de estatuto, modernidade e memória. Importa, por isso, articular a história e as especificidades da técnica fotográfica oitocentista – processos, suportes, iluminação e encenação – como as opções estéticas que moldavam a pose, a composição e a apresentação dos retratados com a leitura sociocultural subjacente nessas imagens, para perceber o retrato de estúdio como espaço de construção simbólica.
Concomitantemente, será promovido um olhar comparativo das gentes de Machico, no contexto de poses no atelier, com as imagens, dessa mesma época, em contexto social e de trabalho. Este corpus imagético, aliado à informação que os livros de registo da Photographia Vicente revela sobre os retratados, abre caminho à exploração de significados, narrativas e contextos, para aferir, se, no contexto machiquense, ocorre algum exercício de autoafirmação, de pertença comunitária, de preservação da memória familiar e de representação identitária.
Será uma achega para facilitar a compreensão das transformações sociais e culturais na viragem do século, da Madeira no geral e em Machico em particular.

Resumo Curricular:
Marco Gonçalves (n. Funchal, 1974), é Mestre em História e Cultura das Regiões pela Universidade da Madeira e licenciado em Artes Plásticas pelo Instituto Superior de Arte e Design / Universidade da Madeira. Docente profissionalizado no quadro da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, encontra-se a desempenhar funções no Serviço Educativo do Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s. Criou e coordenou vários projetos curriculares dedicados a alunos com dificuldades de aprendizagem e cocoordenou o projeto da Direção Regional de Educação “Rede Bufetes Escolares Saudáveis”.  Expõe esporadicamente como artista plástico e fotógrafo desde 1991.Tem trabalho publicado a nível regional e nacional na área do design e da fotografia. Tem também obra na área da ilustração científica, em diversas publicações de revistas internacionais da especialidade. 

Rita Brazão de Freitas
Direção Regional de Estatística
da Madeira

Gentes e números: Machico em perspetiva demográfica
Os primeiros registos paroquiais documentaram a vida das “Gentes do Povoamento”. Igualmente relevante é a reflexão sobre as mudanças demográficas que se verificaram ao longo dos séculos. Importa assim descrever a história de Machico em números.
A partir dos primeiros dados censitários disponíveis, verifica-se uma evolução globalmente positiva da população residente, acompanhada por um aumento da densidade populacional e por um reforço do peso relativo do município no conjunto da população regional. Entre 1864 e 2021, Machico passou de cerca de 8 mil para quase 20 mil residentes, ascendendo progressivamente na hierarquia dos municípios mais populosos da RAM, ocupando atualmente a quarta posição.
Nas últimas décadas, contudo, a dinâmica demográfica do município tem sido marcada por mudanças estruturais profundas. O envelhecimento da população assume particular relevância, traduzindo-se num aumento expressivo da idade média dos residentes e num agravamento do índice de envelhecimento, resultado simultâneo do aumento da longevidade e da redução sustentada do número de nascimentos. Esta transformação alterou de forma significativa a relação entre gerações, com diminuição relativa da população jovem e crescimento contínuo da população idosa.
Paralelamente, registam-se alterações relevantes nas características sociais da população. O nível de instrução da população evoluiu de forma significativa nas últimas décadas, com uma forte redução do analfabetismo e um crescimento da população com ensino superior. Em contraste, a diminuição do número de alunos reflete o impacto da redução da natalidade. As dinâmicas familiares também se transformaram, com decréscimo no número de casamentos, aumento das taxas de divórcio e maior diversidade nos percursos conjugais.
Adicionalmente, Machico tem vindo a registar um crescimento da população estrangeira residente, contribuindo para uma maior heterogeneidade demográfica e social. No domínio da mobilidade quotidiana, verifica-se uma predominância de movimentos pendulares dentro do município e uma forte utilização do transporte individual nas deslocações entre a residência e o local de trabalho ou estudo.
A análise das dinâmicas demográficas de Machico evidencia uma convergência com as tendências estruturais regionais e nacionais, enquanto revela especificidades associadas à sua evolução territorial e social. Compreender estas dinâmicas é essencial para refletir sobre os desafios demográficos atuais e futuros do município no contexto regional.

Resumo Curricular:
Licenciada em Matemática, mestre em Modelação Estatística e Análise de Dados, e doutorada em Demografia, pela Universidade de Évora. Atualmente, é responsável pela Direção de Serviços de Planeamento, Metodologia, Estudos e Difusão da Direção Regional de Estatística da Madeira. Entre 2019 e 2023, foi professora convidada da Universidade da Madeira e é autora de artigos científicos na área da demografia. Em 2021, foi distinguida com o Prémio Nacional de Demografia Mário Leston Bandeira pela sua tese de doutoramento. Os seus interesses de investigação estão centrados na demografia, com especial enfoque na fecundidade e na família, e possui uma vasta experiência em modelação estatística e análise de dados, aplicada a diversas áreas.

Sónia Silva Franco
Arteleia, Produção de Conteúdos Literários

Fazei isto em memória de nós!
O título da intervenção, inspirado na frase bíblica «fazei isto em memória de Mim», é aqui reinterpretado como homenagem às gentes que ajudaram a erguer o povoamento e cujas vidas, muitas vezes, permanecem apenas parcialmente registadas. A intervenção pretende sublinhar a importância de integrar essas histórias de vida no trabalho historiográfico, não como um exercício de nostalgia, mas como uma forma de responsabilidade histórica e de valorização da experiência das pessoas comuns.

Resumo Curricular:
Licenciada em História, com várias especializações nas áreas da Genealogia, Métodos Biográficos, Técnicas de Falar em Público, Liderança Emocional e Marketing Turístico. Após uma carreira de 30 anos como jornalista, fundou a Arteleia, empresa dedicada à escrita de histórias de vida, valorizando as experiências de pessoas comuns e imortalizando em livros as suas memórias.

Teatro D’Os Emplastros

GENTE DO SEU TEMPO
Idealizado para incorporar a fase final do Colóquio da XIX edição do Mercado Quinhentista de Machico, o sketch promete atuar como um momento de QUEBRA e DESCONTARÇÃO a par dos trabalhos realizados. O contraste de duas personagens de épocas diferentes que se confrontam e discutem sobre as similitudes e diferenças de ambas as realidades. Suportado na comédia, promete também o cuidado histórico com elementos e informações da época – finais do século XV e inícios do século XVI – com destaque para o sistema de medidas implementado do D. Manuel I e a produção e comercialização da cana-de-açúcar na região.

A Associação Teatro D’Os Emplastros tem como objetivo contribuir ativamente para a criação de uma indústria de trabalho estável no contexto artístico profissional – nomeadamente nas áreas do teatro, música e dança – com jovens artistas da Região Autónoma da Madeira. A sua missão centra-se na criação e dinamização de espetáculos de teatro, dirigidos ao público em geral e às comunidades madeirenses, incluindo escolas, centros comunitários, centros de dia, através da produção de espetáculos de teatro originais, didáticos e apelativos. No seio desta estrutura, promove-se a criação autoral de espetáculos destinados a públicos diversos, contribuindo para a formação cultural, o pensamento crítico e o acesso democrático à cultura.